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Largar hábitos

Como parar a vontade de doce sem brigar com você mesmo

O biscoito das quatro da tarde não é uma falha moral. A vontade de doce tende a seguir o cansaço, o estresse e a rotina — o que significa que você pode se planejar para ela em vez de aguentar no grito.

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A resposta curta
  • A vontade costuma chegar na mesma hora e no mesmo lugar todo dia — a queda de energia da tarde, a passada pela máquina de lanches, o sofá depois do jantar.
  • O cansaço importa. Pesquisas sugerem que, depois de uma noite curta, a resposta do cérebro a comidas tentadoras e calóricas aumenta.
  • Uma vontade é uma onda: sobe e passa. Esperar dez minutos e respirar devagar muitas vezes basta para ela passar.
  • Planeje uma substituição para o momento em que a vontade costuma bater, em vez de contar com um “não”.

Este não é um guia sobre cortar coisas da sua alimentação. É sobre o momento — geralmente o mesmo todo dia — em que, de repente, você precisa de algo doce, e como atravessá-lo sem transformar isso numa batalha contra você mesmo.

Perceba quando acontece

Durante uma semana, não mude nada. Só anote quando a vontade aparece: a hora, onde você está, o que estava fazendo, como se sentia. A maioria das pessoas encontra um padrão rápido. A queda de energia das 15h–16h na mesa de trabalho. A passada pela padaria no caminho de casa. O sofá depois do jantar. Um telefonema estressante.

Esse padrão é o ponto central. Estudos de diário sobre o comportamento cotidiano sugerem que boa parte do que fazemos todo dia se repete no mesmo contexto, muitas vezes sem pensar. Sua vontade pode ter menos a ver com açúcar do que com as quatro da tarde.

O cansaço deixa a vontade mais alta

Se a vontade é pior depois de uma noite mal dormida, não é impressão sua. Num estudo de imagem cerebral, Greer, Goldstein e Walker (2013) descobriram que, depois de uma noite sem dormir, o desejo das pessoas por alimentos calóricos aumentava, junto com respostas mais fortes em áreas cerebrais ligadas à recompensa e atividade mais fraca em regiões envolvidas em pesar escolhas. É um estudo só, mas combina com o que muita gente percebe: um cérebro cansado quer uma recompensa rápida.

Então parte de um plano contra o doce é um plano de sono. Se você fica rolando o celular até meia-noite, comece por aí — veja como parar de rolar o celular na cama.

Surfe a onda

A tela As minhas vontades do Yolmira: vontades superadas e barras mostrando as horas e os dias da semana em que elas voltam
As minhas vontades, no Yolmira, mostra quando suas vontades costumam voltar — muitas vezes nas mesmas horas.

Quando a vontade bate, tente não discutir com ela. Discutir a mantém no centro das atenções. Em vez disso:

  1. Dê um nome. “É a vontade das quatro da tarde. Ela passa.”
  2. Coloque um timer de dez minutos. Você não está dizendo nunca — só ainda não.
  3. Respire devagar, com expirações mais longas que as inspirações.
  4. Mexa-se. Levante, encha o copo de água, dê um passo para fora.
  5. Depois decida. Às vezes você ainda vai querer, e tudo bem. Muitas vezes não vai.

Isso é uma versão do surfe da vontade (urge surfing), uma técnica vinda da pesquisa sobre prevenção de recaídas; em um estudo com fumantes, aprender a observar a vontade dessa forma reduziu o quanto as pessoas fumavam. Mais no nosso guia sobre como largar um mau hábito.

Planeje a substituição, não a restrição

Um hábito geralmente cumpre uma função. O biscoito da tarde é uma pausa, uma pequena recompensa, uma desculpa para levantar. Mantenha a função e mude a ação. Escreva como um plano “se… então”:

Planos “se… então” para a tarde

Se forem 16h e eu quiser algo doce, então faço um chá e dou uma volta no quarteirão.
Se eu estiver estressado depois de uma ligação, então fico dois minutos na janela antes de fazer qualquer outra coisa.
Se eu estiver passando pela padaria, então atravesso a rua.

E deixe o caminho antigo um pouco mais longo: biscoitos numa prateleira alta ou fora de casa, fruta na mesa. O atrito não proíbe nada; só dá tempo para a vontade passar.

Seja gentil nos dias em que ela vence

Em algumas tardes a vontade vai vencer. Isso é normal, e é um dado útil: o que foi diferente naquele dia? Tratar um biscoito como prova de que você fracassou é o que o transforma no pacote inteiro. Os pesquisadores chamam essa espiral de efeito de violação da abstinência, e só saber que ela existe já facilita sair dela.

Um exemplo prático: o biscoito das quatro da tarde

Pense em alguém que come biscoitos da copa do escritório toda tarde e quer parar.

O padrão. Depois de uma semana de anotações, o quadro fica claro: acontece entre 15h30 e 16h30, principalmente em dias de reuniões seguidas, e quase sempre logo depois de passar pela copa na volta da impressora.

O plano. Três mudanças pequenas. Um caminho diferente na volta da impressora. Uma garrafa térmica de chá na mesa, para a copa não ser o único lugar com uma bebida quente. E uma frase “se… então”: Se eu sentir a queda das quatro da tarde, então vou lá fora por cinco minutos antes de decidir qualquer coisa.

O resultado depois de duas semanas. Não foi zero biscoito. Em alguns dias a reunião se estendeu e a vontade venceu. Mas na maioria das tardes, os cinco minutos lá fora cumpriram a função que o biscoito cumpria — uma pausa, um ar diferente — e a vontade não voltou. É assim que o sucesso se parece aqui: menos, não nenhum, e sem briga.

O que fazer num dia ruim

Em alguns dias tudo conspira: uma noite curta, uma manhã estressante, alguém traz bolo. Nesses dias, abaixe a barra em vez de desistir:

  • Mantenha só uma parte do plano. Talvez a caminhada não aconteça, mas você ainda espera dez minutos antes de decidir.
  • Coma de propósito. Se for comer algo doce, sente e aproveite, em vez de comer em pé no balcão enquanto lê e-mails.
  • Cuide da causa. Se o cansaço está por trás, a melhor jogada para a tarde de amanhã é dormir mais cedo hoje.
Mais planos “se… então”

Se alguém trouxer doces para o escritório, então pego um e como na minha mesa, devagar — não três em pé ao lado da caixa.
Se eu estiver fazendo compras com fome, então como algo antes ou sigo a lista.
Se eu perceber que estou com vontade de doce depois de uma noite ruim, então vou dormir meia hora mais cedo naquela noite.

Acompanhe as vontades, não só os deslizes

Quando você está reduzindo alguma coisa, é natural contar os dias em que cedeu. Mas esse número só anda numa direção, e esconde a informação mais útil. Tente contar também as vontades que você atravessou. Depois de algumas semanas, vai ver duas coisas: a contagem de vontades superadas subindo com firmeza, e os horários em que elas se concentram. Essa segunda parte é o que permite planejar — uma caminhada marcada para as 15h45, o chá já na mesa, o caminho da padaria evitado. E a primeira parte é simplesmente animadora. Cada vontade que você deixa passar é prática, e prática é o que transforma uma nova resposta na resposta padrão.

Como o Yolmira ajuda

No Yolmira, você pode acompanhar “Sem doces à tarde” como um hábito a largar, contado em dias sem recair. Quando bate uma vontade, a tela de vontade — sempre grátis — oferece um timer calmo de dez minutos, alguns ritmos de respiração e o seu próprio motivo, com as suas palavras. Dizer que passou conta como uma vontade superada.

As minhas vontades mostra então quantas vontades você já atravessou e quando elas voltam, por hora e por dia da semana — exatamente o padrão em torno do qual você precisa se planejar. Combine o hábito a largar com algo a criar, como uma caminhada curta depois do almoço, e ligue os dois a um objetivo como “Mais energia”. Tudo fica no seu celular.

Perguntas frequentes

Por que sinto vontade de doce à tarde?

A vontade da tarde costuma seguir uma rotina — uma queda de energia na mesa, uma pausa, uma passada por uma loja — e o cansaço pode deixá-la mais forte. Anotar quando ela acontece geralmente revela o padrão.

A falta de sono piora a vontade de doce?

Pesquisas sugerem que pode. Um estudo de imagem cerebral de 2013 descobriu que, depois de uma noite sem dormir, o desejo das pessoas por alimentos calóricos aumentava.

Quanto tempo dura uma vontade de doce?

A vontade sobe, atinge o pico e passa, muitas vezes em minutos. Esperar dez minutos fazendo outra coisa costuma bastar para ela passar.

O que posso fazer em vez de comer doce quando a vontade bate?

Mantenha a função que o hábito cumpria — uma pausa, uma recompensa, um respiro — e mude a ação: um chá, uma caminhada curta, alguns minutos lá fora. Planeje com antecedência como uma frase “se… então”.

Fontes

  1. Wood, W., Quinn, J. M., & Kashy, D. A. (2002). Habits in everyday life: Thought, emotion, and action. Journal of Personality and Social Psychology, 83(6), 1281–1297.
  2. Greer, S. M., Goldstein, A. N., & Walker, M. P. (2013). The impact of sleep deprivation on food desire in the human brain. Nature Communications, 4, 2259.
  3. Bowen, S., & Marlatt, G. A. (2009). Surfing the urge: Brief mindfulness-based intervention for college student smokers. Psychology of Addictive Behaviors, 23(4), 666–671.
  4. Marlatt, G. A., & Gordon, J. R. (Eds.). (1985). Relapse prevention: Maintenance strategies in the treatment of addictive behaviors. Guilford Press.

Este guia é uma informação geral, não um conselho médico ou nutricional. Se você vive com uma condição como diabetes, ou se comer muitas vezes parece fora do seu controle, um médico, um nutricionista ou um serviço de apoio a transtornos alimentares podem ajudar de formas que um app não consegue.